terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sífilis


É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. Manifesta-se em três estágios: primária, secundária e terciária. Os dois primeiros estágios apresentam as características mais marcantes da infecção, quando se observam os principais sintomas e quando essa DST é mais transmissível. Depois, ela desaparece durante um longo período: a pessoa não sente nada e apresenta uma aparente cura das lesões iniciais, mesmo em casos de indivíduos não tratados. A doença pode ficar então, estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral, problema cardíaco, podendo inclusive levar à morte.
A sífilis manifesta-se inicialmente como uma pequena ferida nos órgãos sexuais (cancro duro) e com ínguas (caroços) nas virilhas, que surgem entre a 2ª ou 3ª semana após a relação sexual desprotegida com pessoa infectada. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Após certo tempo, a ferida desaparece sem deixar cicatriz, dando à pessoa a falsa impressão de estar curada. Se a doença não for tratada, continua a avançar no organismo, surgindo manchas em várias partes do corpo (inclusive nas palmas das mãos e solas dos pés), queda de cabelos, cegueira, doença do coração, paralisias. Caso ocorra em grávidas, poderá causar aborto/natimorto ou má formação do feto. A transmissão da sífilis pode ser passada de uma pessoa para outra por meio de relações sexuais desprotegidas (sem preservativos), através de transfusão de sangue contaminado (que hoje em dia é muito raro em razão do controle do sangue doado), e durante a gestação e o parto (de mãe infectada para o bebê).
Como não há perspectiva de desenvolvimento de vacina, em curto prazo, a prevenção recai sobre a educação em saúde: uso regular de preservativos, diagnóstico precoce em mulheres em idade reprodutiva e parceiros, e realização do teste diagnóstico por mulheres com intenção de engravidar.

Governo destina R$ 2,1 bilhões à Saúde para combater gripe suína


Foi divulgado hoje no site abril.com: São Paulo - O presidente em exercício, José Alencar, aprovou a medida provisória (MP) número 469, que libera crédito suplementar de R$ 2,1 bilhões para a prevenção e o combate da Influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína. Tal decisão foi publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU). Da verba aprovada, R$ 1,06 bilhão será usado na aquisição de vacinas que serão distribuídas no início de 2010. O recurso também será utilizado em equipamentos para hospitalização, material de diagnóstico, aumento do número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e capacitação de profissionais de saúde. As informações são da Assessoria de Imprensa do ministério.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O prêmio Nobel da Medicina de 2009 - descoberta e identificação da telomerase


Elizabeth Blackburn, Jack Szostak e Carol Greider ganharam o prémio equivalente a 1,42 milhão de dólares pelos seus trabalhos sobre os telómeros e a enzima telomerase.

Esta enzima desempenha ela desempenha um papel importante no crescimento descontrolado de tumores.

Esta enzima age sobre uma sequência de bases nitrogenadas encontrada na parte terminal dos cromossomos, os telômeros. Estas estruturas, a cada divisão celular, diminuem e são amplificados em seguida. Este processo de restabelecimento de telômero é feita pela telomerase. Após sucessivas divisões a telomerase se torna inativa e o telômero perde um nomero de bases suficentes, que não serão respostas mais, levando a morte celular. Por este motivo é dito que a telomerase é chamado como "relógio celular".

sábado, 3 de outubro de 2009

Mecanismos de ação do "Relógio Celular"

Uma das mais conhecidas formulações sobre a morte celular esta controlado por nossos genes foi feita por Leonard Hayflick, em 1977. O chamado limite de Hayflick, que afirma que as células irão se dividir e se reproduzir apenas um número limitado de vezes e que esse número é geneticamente programado.

As células humanas, eucarióticas, têm cromossomos lineares. Há dificuldades para a replicação das duas extremidades. Embora a fita contínua possa, teoricamente, ser sintetizada até o final de seu molde, a fita retrógrada não pode. Embora isso não seja um problema em uma única replicação, ao longo de muitos ciclos as extremidades dos cromossomos seriam encurtadas, até que genes essenciais fossem perdidos e a célula morreria. Conseqüentemente, a natureza procura impedir a perda contínua do DNA nas extremidades dos cromossomos. Nesse local existem, então, estruturas protetoras especiais, chamadas de telômeros, que contem muitas repetições de uma seqüência de seis nucleotídeos, rica em GUANINA. Os telômeros humanos contem milhares de repetições TTAGGG. O tamanho dos telômeros é mantido por enzimas, chamadas de telomerases, que adicionam repetições de seis nucleotídeos sua extremidade.

Segundo esta teoria, a enzima telomerase é considerada um relógio biológico, um marcador a indicar que a senescência celular irá se instalar inevitavelmente, causando o envelhecimento.

A telomerase é uma enzima classificada como transcriptase reversa, composta de uma subunidade de uma proteína que possui um componente interno de RNA que é uma região molde para a produção de DNA. Esta subunidade é identificada por TERT, está na região do C- terminal do polipeptídeo, também na região N-terminal, basicamente na região dos telômeros.

O gene de produção da telomerase e o gene conhecido por p 53 devem participar de um sistema eficiente de supressão de tumores, mas em contrapartida, com a diminuição da ação da telomerase, os cromossomos se encurtam na região dos telômeros e, inevitavelmente, por causa da manutenção de um tecido jovem, que necessita de divisões celulares contínuas, surge o envelhecimento, a senescência. Quando a telomerase está atuante, permite a alta capacidade de divisões celulares por mitoses sucessivas, o que seria uma proteção contra a senescência. O envelhecimento seria o preço de uma vida sem câncer.

Menopausa e o Risco de Osteoporose




O sistema esquelético é formado por uma matriz, cuja base é uma proteína chamada de colágeno, à qual se deposita cálcio e fósforo, formando um complexo orgânico firme, mas maleável. A partir dos 50 anos ocorre uma menor atividade de reconstrução óssea. É frequente, portanto, em idade mais avançada a diminuição da altura pela perda de massa óssea das vértebras da coluna lombar, pelo aumento da curvatura da coluna, e a presença de menor quantidade de cálcio e fósforo nos ossos. Esses fenômenos podem ser minimizados com exercícios constantes e moderados, como caminhar, e alimentação sadia, com níveis nutricionais adequados de cálcio.

Hormônios

O hormônio de crescimento (GH) é essencial para o esqueleto formar a matriz protéica onde irá fixar-se o cálcio e o fósforo. Com a idade, há um natural declínio de secreção do GH pela hipófise e simultaneamente menor formação de matriz óssea. A glândula tireóide produz os hormônios T4 e T3, que promovem o estímulo das cartilagens de crescimento dos ossos longos, onde se deposita cálcio . Este processo resulta em crescimento contínuo da criança até a adolescência, quando as cartilagens de crescimento são “fechadas” pelos hormônios sexuais (testosterona para rapazes e estradiol para as meninas).
Ao lado da calcitonina (produzida pela tireóide) os hormônios sexuais produzem nos ossos mecanismos que retardam a destruição óssea (osteoclastos) e estimulam a formação de “osso novo” pelos osteoblastos. A vitamina D e o hormônio das glândulas paratireóides (chamado de PTH ou paratormônio) estimulam os osteoblastos a formar osso novo.

Desintometria

Pode-se avaliar o conteúdo de cálcio nos ossos por aparelhos chamados de densitômetros, cujos valores são expressos em Densidade Mineral Óssea – DMO (cálcio por unidade de peso). A densitometria óssea faz parte da avaliação da mulher na menopausa, pois com menor produção de hormônio feminino existe uma tendência de menor deposição de cálcio no sistema esquelético.

Osteopenia e Osteoporose

Estas duas palavras indicam graduações da perda de cálcio nos ossos. A osteopenia aplica-se às condições em que a DMO é discretamente menor do que o normal comparativamente encontrado em pessoas da mesma idade e consideradas normais. Por outro lado a Organização Mundial de Saúde definiu a osteropenia como uma DMO menor do que aquela encontrada em mulheres normais na faixa etária de 30 anos. Mas muitos estudiosos do assunto concluíram que apresentar osteopenia, nestes termos, não teria importância clínica e os pacientes não devem se preocupar com osteopenia.

Por outro lado, a osteoporose se refere a pacientes cuja DMO é bem mais baixa do que em mulheres normais (cerca de 2,5 vezes menor do que normais). Na maioria dos casos existe perda de cálcio por falta de hormônio feminino (estrógeno) na fase da menopausa, e que se associa a ingestão baixa de cálcio nutricional e sedentarismo.

Tanto na osteopenia como na osteoporose o tratamento indicado inclui ingestão maior de cálcio na dieta (produtos derivados do leite), comprimidos de cálcio e, sob orientação médica, medicamentos que induzem maior formação de osso e subsequentemente maior depósito de cálcio. O tratamento deve se prolongar por três anos no mínimo, para evitar a possibilidade de fraturas (colo do fêmur, vértebras). O médico pode também recorrer a preparações hormonais femininas para manter o cálcio dentro dos ossos.

FONTE: "Revista Veja; 05/10/2009"

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quando ir ao Médico: Saiba Quais Sintomas Não Podem Ser Desprezados

Procurar um médico nem sempre é a primeira opção para pessoas que sentem uma dor de cabeça com início súbito. É comum, também, adiar a consulta se alguma parte do corpo começa a inchar ou se o peso na balança passa a diminuir gradualmente. No entanto, não são apenas nos traumas e nas dores no peito que residem bons motivos para procurar um profissional de saúde. O corpo dá sinais sutis quando há algum problema, indícios muitas vezes ignorados. A sugestão é observar e, se for o caso, procurar um médico para tirar todas as dúvidas. (OBS.: Primeiramente estão os sintomas e, em seguida, algumas patologias).

1) Dor de cabeça forte ou repentina
Enxaqueca; Acidente Vascular Encefálico (AVE) ou derrame; Câncer de cabeça ou tumores que crescem até a cabeça; Hemorragia subdural, que pode acontecer após um trauma; Encefalite; Se acompanhada por rigidez no pescoço, pode ser meningite;

2) Alteração dos hábitos intestinais
Intoxicação alimentar; Infecções intestinais, ligadas à alimentação ou bactérias; Doença diverticular dos cólons (doença inflamatória intestinal); Doença de Crohn (doença inflamatória intestinal); Abuso de gordura na alimentação.

3) Perda de peso inexplicável (5% do peso corpóreo)
Hipertireoidismo; Diabetes; Se acompanhada de febre pode ser tuberculose; Distúrbios alimentares (anorexia e bulemia); Depressão; Câncer.

4) Febre alta e persistente
Infeccões, causadas por vírus, como gripe, resfriado; Quadros infecciosos, como infeccões do trato urinário; Tuberculose, com febre respentinan não muito alta.

5) Sonolência crônica
Apnéia obstrutiva do sono; Hipotireoidismo; Privação do sono.

6) Falta de ar
Problemas pulmonares; Problemas cardíacos; Asma brônquica.

7) Tosse persistente
Tuberculose; Doença do refluxo gástrico-esofágico; Câncer de pulmão; Bronquite crônica (comum em fumantes).

8) Juntas quentes e vermelhas
Artrite infecciosa; Artrite reumatóide; Crise de gota; Doença de Lyme, desencadeada pela picada de um carrapato.

9) Inchassos persistentes
Hipoalbuminemia; Insuficiência cardíaca; Trombose; Problema nos rins ou fígado.

10) Dor no peito
Infarto agudo do miocádio, pode vir acompanhado de dor e formigamento no braço; Infecção respiratória; Hépes zóster, mais comum em idosos (catapora).

Fontes: "Paulo Olzon Monteiro da Silva, infectologista e chefe da disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Ana Paula de Oliveira Ramos, clínica-geral e suplente do capítulo de dor e cuidados paliativos da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (Sbcm)."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Depressão e Tireóide

A síndrome depressiva é caracterizada por alterações de humor, com ansiedade, insônia e demais sintomas psicológicos que persistem por um período mínimo de duas semanas, com impacto mais ou menos profundo nas atividades sociais e ocupacionais, prejudicando o trabalho do paciente, ou limitando sua atividade produtiva e profissional. A severidade da depressão é geralmente avaliada por uma escala de pontos em que cada sintoma ganha um valor numérico. Os pacientes que, nesta escala, têm um “score” muito elevado são portadores de depressão extremamente severa.
A classificação psiquiátrica emprega várias terminologias para diferentes subtipos de sintomas depressivos. É o caso da depressão pós-parto (relativamente comum, atingindo 10% das puérperas e com alterações na glândula tireoide); da doença depressiva sazonal, que ocorre em invernos prolongados do hemisfério norte; e da depressão com predomínio melancólico, com sinais depressivos durante o período matinal, perda do apetite, peso e retardo psicomotor.

As Causas
Em nosso cérebro, as comunicações são efetuadas por meio de ondas eletromagnéticas perceptíveis ao exame chamado de eletroencefalograma. Por outro lado, os elementos que constituem a massa cerebral - os neurônios - têm como forma de mensagem as substâncias químicas chamadas monoaminas (serotonina, dopamina e nor-adrenalina).
A hipótese mais aceita pelos cientistas e neurologistas clínicos é que as síndromes depressivas se associam a uma queda da atividade da serotonina. Com menor conteúdo de serotonina, o sistema de mensagem entre neurônios torna-se errático, levando ao desequilíbrio de outros neurotransmissores, tais como a nor-adrenalina. Quando o clínico, o psiquiatra, o neurologista indicam medicamentos que elevam a serotonina, os sintomas depressivos se atenuam e progressivamente desaparecem.
Outras teorias sobre estados depressivos indicam que baixos níveis de hormônio feminino (estradiol), encontrados na maioria das mulheres menopausadas, podem ser coadjuvantes no desencadear da depressão e que a reposição hormonal com estradiol favorece a “cura” do estado depressivo.

A Fução da Tireóide e a Depressão
Os hormônios da tireoide, tiroxina (T4) e tri-iodo-tironina (T3), são essenciais para o funcionamento do sistema nervoso central. O cérebro transforma o hormônio tiroxina em T3 por meio de uma atividade enzimática peculiar à célula nervosa. O hormônio T3 liga-se à célula nervosa por um receptor especial e induz vários efeitos metabólicos dentro da célula nervosa.
Desta breve descrição da importância do hormônio da tireoide para o tecido cerebral veio a noção de que a falta de T3, como ocorre em pessoas com HIPOTIREOIDISMO (falta de hormônio da tireoide) seria causa de síndromes depressivas ou seria um agravante da depressão.
Mais tarde, estudos realizados em pacientes que tiveram a glândula tireoide totalmente removida por cirurgia, por doença auto-imune ou por uso de iodo radioativo em dose elevada indicaram que o estado de melancolia, baixa capacidade de comunicação e alterações psicomotoras estavam associados à baixa produção de hormônios tireoideos.
Hoje já se sabe que o hipotireoidismo agrava os estados depressivos. Por outro lado, a persistência do estado de baixa função da glândula tireoide pode dificultar o tratamento do depressivo com os fármacos serotoninérgicos usuais. Por este motivo é consensual a solicitação da dosagem do nível de hormônios tireoideos (T4, T3, T4 livre) e de TSH (hormônio da hipófise que estimula a tireoide) no conjunto de exames que avaliam o paciente com depressão.
Alguns autores propõem a introdução de pequenas doses de hormônios da tireoide em casos de depressão em que exista o chamado hipotireoidismo sub-clínico, isto é, pacientes que possuem níveis de tiroxina livre (T4 livre) normais, mas TSH elevado. Tal prática, contudo, ainda não é aceita por alguns endocrinologistas, embora tenha o sentido terapêutico de abreviar o retorno do paciente depressivo a suas atividades habituais com o alívio dos sintomas melancólicos.

Fonte: "Revista Veja; 17/08/2009"